A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA – RS

 

A morte é impactante. Ficamos surpresos ao recebermos a notícia de alguém, que sem qualquer enfermidade venha a morrer. E quando se trata de um familiar, custa-nos a aceitar, e lamentamos profundamente.

A morte não escolhe idade, muito menos nível social. Sem ser cortês, entra   no palácio do rei, na mansão do rico, na casa ou no casebre do pobre . E diante da morte todos sentem a mesma dor com maior ou menor intensidade, e derramam lágrimas, algumas secas porque já se foram e não mais existem, outras encharcadas e doloridas.

A tragédia de Santa Maria não foi diferente. O golpe acertou em cheio o coração de tantas famílias, e de lá para cá não paramos de chorar ao ouvir inúmeros relatos e fotos de jovens mortos  que mal começaram a viver.

Não é momento para “censurar” os desígnios de Deus, nem tampouco especular os porquês, e sim elevar nossos pensamentos em orações pelos familiares e amigos, pois não há palavra capaz de aliviar tamanha dor.

Penso na tragédia vivida por Jó pouco depois de um lauto banquete servido entre seus filhos. O relato abaixo nos dá a dimensão do seu sofrimento:

“Enquanto este ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam comendo e bebendo vinho em casa do irmão mais velho; e eis que sobrevindo um grande vento de além do deserto, deu nos quatro cantos da casa, e ela caiu sobre os mancebos, de sorte que morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova. Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor”.(Jó 1:18 a 21)

 Num só dia perdeu seus dez filhos – sete homens e três mulheres – e sem qualquer saída, pois a morte fecha todas, “rasgou seu manto”, “rapou sua cabeça” e lançando-se em terra “adorou”. Só o Todo Poderoso a quem servia com sua integridade, poderia trazer-lhe a consolação. A Bíblia não nos dá detalhes da intensidade do seu sofrimento pela perda de seus filhos, mas sem dúvida a lembrança de todos eles vieram a sua mente. Imagens  em redor da mesa farta, as festas com canções e instrumentos musicais, ou quando pequenos, embalando-os em seus braços. E em meio às lembranças evocadas, entre lágrimas e sorrisos, adorou a Deus. Talvez agradecendo pela vida dos seus filhos, pelo amor desfrutado por eles, pela companhia tão prazerosa, quem sabe.

Por certo, em meio à dor tão descomunal, é difícil sugerir reação igual à de Jó, ou mesmo proferir suas palavras.  Entretanto, a postura de Jó diante da dor pode nos ensinar trazendo consolo diante do horror da morte: entregar-se aos cuidados daquele que entende a nossa dor, e sabe enxugar dos olhos toda a lágrima.

E nós, que estamos do lado de cá, elevemos nossas vozes em oração, suplicando ao Deus de TODA consolação que venha em socorro de cada familiar, pai ou mãe, nesta hora amarga.

 

Que assim seja.

Orlando Arraz Maz

 

 

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