DESABAFO

Desculpem-me o desabafo.

Estou cansado de ver tanta coisa ruim e de morar nesta terra.

Vejo caos por toda a parte, desde a cidade grande até a pequena.ver tanta coisa ruim e de morar nesta terra.

Lindo jardimÉ gente matando em pleno estádio de futebol, atirando lança-foguete, tendo o adversário  de time como inimigo de guerra

Vejo pais que estupram filhas e meninos violentados por religiosos.

Vejo políticos recebendo propina que descaradamente agradecem a Deus por ela.

Vejo mães descartando seus filhos recém-nascidos em latas de lixo, caçambas ou lixões.

Vejo crianças que chegaram para as aulas, alegres, sorridentes, e logo em seguida executadas. O sorriso que esboçavam foi apagado para sempre.

Estou cansado mesmo.

Tenho saudades da terra dos meus antepassados, que por um tempo gozaram das suas delícias.

Aliás, não era bem uma terra, mas era conhecida como um jardim, um lugar encantador.

Os campos floresciam, as árvores davam frutos saborosos, e a terra era regada pelo orvalho que caia mansamente sobre ela.

O céu era limpo, sem nuvens escuras, e  milhares de estrelas vistas a olho nu, brilhavam num firmamento de uma beleza extraordinária.

A água dos rios era cristalina, sem poluição, e eles a bebiam com as mãos em forma de conchas.

Neste aprazível lugar meus antepassados eram felizes. Viviam sem medos, sem sustos, dormiam bem, sem qualquer doença, lágrimas ou tristezas.

Caminhavam por entre lindas árvores e comiam seus frutos. No meio do jardim o Criador plantou uma árvore especial extremamente maravilhosa, e deu-lhe o nome de árvore da vida.  Bem ao seu lado plantou outra árvore, não menos bela chamada árvore do conhecimento do bem e do mal. Esta era a única árvore cujos frutos não podiam ser saboreados. Era ordem do Criador.

E o melhor de tudo, o Criador tomava forma humana, e todo o cair da tarde vinha visitar meus antepassados. E havia uma comunhão plena entre eles, uma conversa de olho no olho, sem medo de acusações ou mal entendidos.

Até que um dia, uma fatalidade aconteceu naquele jardim de delícias. Uma serpente apareceu para meus primeiros pais, falando normalmente com eles, mostrando-se amiga,  os quais nem sequer  se assustaram, o que me leva a crer que era algo normal entre eles.

Uma conversa  até certo ponto interessante, ou melhor, uma sugestão de que eles poderiam ser iguais ao Criador, quais deuses poderosos.  E rapidamente caíram nesse conto. Desobedeceram  as ordens do Criador, saborearam o fruto da árvore proibida, e logo depois   foram expulsos daquele lindo jardim. E aí começou um caminho de miséria e de dor.

Entre meus antepassados  instalou-se um clima bastante carregado,  e iniciou-se uma série de acusações entre ambos. Um atribuía culpa ao outro, uma coisa horrível.

E Deus, o Criador, tomou algumas providências:  fez   vestidos de pele de animal para ambos, substituindo pelo vestido de folhas que trajavam,  tão precário e inútil; depois deu-lhes a conhecer a sentença que viria a transformar suas vidas em grande sofrimento que até então desconheciam: a  expulsão  daquele lindo jardim. E mais: para evitar a retomada da posse do jardim, Deus colocou querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.

Fora do jardim a vida se tornou difícil. Entre tantos dissabores, o pior aconteceu: não tardou uma desavença entre os dois filhos dos meus antepassados,  que resultou em   morte, o primeiro  assassinato. E através dos anos mais tragédias aconteceram, até chegar a meus angustiantes dias.

Quem não sonha   morar em um jardim de delícias como aquele ?

Pois bem, embora  minhas lembranças daquele jardim sejam saudosas, e sofra igual a muitos as consequências da desobediência dos meus antepassados, minha esperança é que um dia aquele jardim será restaurado, e habitado por mim e por todos os que confiaram e lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro. E será infinitamente melhor,  pois Jesus, a luz do mundo, brilhará para sempre, sem necessitar da luz do sol.

E lá não terei mais tristes lembranças.

Que assim seja

Orlando Arraz Maz

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