PORTO FILHO – Pastor, poeta e mestre

 

Além das sombras que vão descendo,
Tudo envolvendo na escuridão
Eu vejo a glória do sol nascente,
Resplandecente no seu clarão.

Não pode a noite, por mais sombria
A luz do dia toda esconder.
Após as trevas vem triunfante,
O sol brilhante do amanhecer.

Assim as sombras não permanecem
Quando escurecem o nosso olhar
No pranto amargo que as dores trazem
E a muitos fazem desanimar.

Se a noite é longa nos teus caminhos
E se os espinhos te vem ferir,
Não desanimes, ó alma triste!
Um sol existe que vai surgir!

Jesus não tarda a sua vinda:
Um pouco ainda e então verás
Que as sombras fogem com seus terrores
E as tuas dores não voltam mais.

Em 1931, um carioca de 23 anos, nascido em Pedra de Guaratiba, abandonou pela metade o curso que fazia na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na Praia Vermelha. Nunca se soube ao certo por que “Manoel da Silveira Porto Filho” desistiu da carreira médica. Mas, graças a este estranho desfecho, a igreja evangélica brasileira ganhou um líder de projeção nacional dentro e fora da Igreja Evangélica Congregacional do Brasil.

Vocacionado para o ministério, Porto Filho cursou o Seminário Batista do Sul do Brasil e foi ordenado pastor congregacional no final de 1937. Além de pastorear por 47 anos a igreja de Campo Grande, no Rio, Porto Filho foi presidente da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil e da extinta Confederação Evangélica do Brasil por mais de um mandato.

Como poeta e um apaixonado pela hinologia, Porto Filho participou ativamente da comissão revisora do “Salmos e Hinos”, o mais antigo hinário evangélico brasileiro, e escreveu, traduziu ou metrificou vários hinos, entre eles “Grata memória”, “Rocha eterna”, “Na manjedoura”, “Espera em Deus” e “Vós, criaturas de Deus Pai”.

O ex-acadêmico de medicina não era um crente isolado da sociedade nem da realidade. Exercia um ministério holístico. Foi professor de latim e português no Colégio Belisário dos Santos, fundador e presidente da Associação Campo grandense de Assistência ao Menor e conselheiro da antiga FUNABEM. Foi um dos fundadores do Lions Clube de Campo Grande, do Instituto Campograndense de Cultura e da Sociedade Universitária Campograndense, hoje Fundação Educacional Unificada Campograndense, e participou da Academia de Letras, Ciências e Artes de Itaboraí e da Fraternidade Teológica Latino-Americana. Deu também a sua contribuição na formação de pastores, como um dos fundadores do Instituto Bíblico de Pedra de Guaratiba, RJ, como professor de geografia bíblica, Novo Testamento e teologia e como diretor de extensão do Seminário Unido de Campo Grande, hoje Seminário Teológico do Oeste.

Apesar de sua inteira dedicação ao Senhor, Porto Filho não foi poupado de algumas tragédias familiares. No dia 29 de agosto de 1963, sua filha Norma, de apenas 22 anos, mãe de um menino de 1 ano e 2 meses e de outro de 4 meses, foi assassinada a sangue frio pelo próprio marido, quatro anos mais jovem que ela. Depois de passar a noite em claro, antes do alvorecer do novo dia, a bagagem religiosa que Porto Filho trazia no coração e na mente despontou fortemente a ponto de ele poder escrever mais um hino, cuja letra encabeça esta biografia.

No dia 1° de junho de 2008, quando Manoel da Silveira Porto Filho completaria 100 anos (ele morreu aos 80), a Igreja Evangélica Congregacional Campograndense promoveu uma semana inteira de eventos em gratidão a Deus pela vida de seu ex-pastor!

Nota:

1. “Manoel da Silveira Porto Filho — poeta, pastor e mestre”, de M. Bernardino Filho (Editora União das Igrejas Evangélicas, 2006).

orlando

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